sábado à noite cheguei a casa por volta das dez e meia. estacionei o carro ao fundo da minha rua.
enquanto apanhava a tralha que tinha de levar, vi que um homem a fazer movimentos de pêndulo estava parado a olhar para mim.
deixei-o continuar o seu percurso, pendulando, e saí do carro. fui pelo meio da rua, enquanto ele caminhava no passeio do meu prédio.
não estava com medo, porque a criatura nem com ela podia, mas não me apetecia nada interagir com ele e muito menos que ele visse em que porta é que eu entrava. acompanhei o seu trajecto de longe e abeirei-me da entrada da rua para ver se ele tinha seguido o seu caminho.
enquanto fazia isto, vejo uma senhora dos seus setenta anos, toda fresca e airosa a subir a rua. pensei que se o tipo se metesse com ela, talvez a incomodasse e abordei-a:
– boa noite. a senhora desculpe, mas eu vou acompanhá-la até à sua porta, porque anda aqui um indivíduo alcoolizado e pode meter-se consigo.
– ai sim? mas onde é que ele está?
– foi para aqui para a sua rua. ele é capaz de já ter ido embora, mas por via das dúvidas…
– ah, muito obrigada. mas sabe onde é que ele mora?
– não. só o vi vir para aqui.
– olhe, ele é careca?
– é sim.
– ah, é porque o meu filho anda outra vez metido no álcool.
– ah… ele já não é novo.
– pois não. tem 47 anos. passa o dia metido no Chico. no Chico não, no Joaquim.
– olhe, pronto, já está à porta de sua casa, muito boa noite.
já nem ouvi a resposta da senhora. à surpresa da resposta dela, deu-me uma vontade enorme de rir.
acho que da próxima, vou atrás da pessoa mas não digo nada!

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