quando nos prestamos a ajudar alguém, deveríamos ter consciência de que o fazemos mais pelo apaziguar da nossa consciência e culpa, vá-se lá saber na maioria das vezes do quê, do que propriamente porque temos a certeza de que vamos de facto alterar-lhe a vida para melhor.
pegamos nas dores dos outros e em três penadas encontramos qualquer coisa que nos faz ressonância e já estamos qual vingador a tentar fazer justiça. na maioria das vezes nem paramos para raciocinar sobre o assunto. aquilo que inicialmente era uma empatia com o acontecimento, torna-se logo numa questão de certo ou errado. de culpado e vítima.
depois, algumas vezes, calha que quem se sentia muito desprotegido e tal, resolve as suas coisinhas e fica tudo muito bem.
e a malta sente-se com cara de parva. e reclama porque se envolveu, porque se preocupou, porque temeu.
tenho visto isso acontecer, recentemente, e acho espantoso como ainda há gente tão envolvida na vida dos outros, como se da sua própria se tratasse.
realmente, muito tempo livre entre mãos não faz bem a ninguém.

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