sempre achei muita graça à forma idílica como algumas lésbicas in progress, à procura da primeira experiência, imaginavam as relações entre duas mulheres. mais do que uma me descreveu um cenário idealizado como um filme em que todos, neste caso todas, se amam, respeitam, toleram. eu sorria e dizia que as pessoas são todas iguais. a única coisa que é, certa e seguramente, diferente é a anatomia. o resto… enfim, dependia.
e, mais, até tenho para mim que as relações entre duas mulheres são a mais difícil combinação a dar certo. porque se duplica “debaixo do mesmo tecto” características que, numa relação homem/mulher se diluem na indiferença do homem e numa relação homem/homem não se põem (quer dizer, às vezes há alguns que são piores que elas). as mulheres são, regra geral, possessivas, manipuladoras, controladoras, ciumentas, muito ligadas a pequenos pormenores. não que isto apareça tudo ao mesmo tempo como uma bomba atómica, mas são características que grande parte tem e que quando batem do outro lado de forma igual, a coisa não corre bem.
isto tudo a propósito de uma notícia que a minha colega me leu do jornal e que está aqui uma parte. acresce-se que eu conheço uma das senhoras em questão, e devo dizer que, apesar de nunca ter tido um convívio de muito perto com ela, a ser verdade não me espanta minimamente o que li. mas choca-me!
choca-me sempre o poder e o abuso que se faz dele. choca-me a falta de respeito pelo indivíduo e sua privacidade. choca-me a violência, seja ela física, verbal ou pelo silêncio. e choca-me, sobretudo, as pessoas não conseguirem perceber que a única coisa que nos pertence é o nosso sentimento. o objecto do nosso afecto não é nosso. por muito que isso nos custe.
[todos os dias faço um esforço no sentido de não ser assim com ninguém de quem goste.]

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