voltei a casa. senti a casa. fui às raízes. raízes do campo. de mãos calejadas pela enxada, de pele crestada, de fruta cheirosa, apanha da azeitona e panela de ferro na lareira.
no silêncio que atravessava o mato por cortar e no cheiro do abandono da casa, a minha história atravessou-me o pensamento. a adolescência, as tardes deitada na manta debaixo dos pinheiros a ouvir o “rock em stock”, quando o que me apetecia era andar a curtir os amigos e os pais me levavam para “a Rocha”. assim era chamado o lugar dos meus avós. o meu avô era o Mário da Rocha, embora fosse outro o seu apelido. e rocha ia-lhe tão bem. homem forte, íntegro e de convicções. que as passou todas à sua filha mais querida, a minha mãe.
e eu, ali, a tentar absorver alguma dessa firmeza, dar sentido ao que de rocha trago em mim. abrir o peito ao cheiro, inspirar fortemente e decidir assumir a renovação.

(sinto-me uma mulher diferente. como costumo dizer, aos 50 estará tudo consolidado. e reconciliado, também.)

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