a manhã traz um sol de cor quente, não sei se da cor das casas se por qualquer outro fenómeno da natureza. o rio está, há vários dias, banhado pelo nevoeiro. lá ao longe, a ponte sobre o tejo ora se vê, ora não se vê. a cor da água hoje era de um cinzento chumbo, ali quando se passa a curva dos pinheiros. o trânsito estava simpático, não que eu lhe dê particular relevo, porque estou-me pouco marimbando para os outros. e não ando mais depressa só porque estou atrasada. procuro compensar essa falha com qualquer outra competência que possa ter, mas recuso-me a ficar stressada a caminho do trabalho. tanto que hoje vim o caminho todo a ouvir Brahms e a apreciar, com alguma inveja, um BMW 2002 que vinha à minha frente. assim de repente, esse carro faz-me regressar ao ano de 73 e a uma cidade que hoje se chama Menongue, mas na altura era Serpa Pinto.
ah, e o BMW era branco.

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