há muita gente que diz que não vai a funerais porque não gosta de funerais – como se isso fosse assim uma ideia peregrina!
não conheço ninguém que vá a funerais porque tenha prazer nisso – não digo que não haja pessoas assim, eu é que não as conheço, pronto.
ontem estava a pensar que, para quem morre, deve ser indiferente quem vai ou não – não consigo ter uma ideia concreta se a finitude do corpo tem uma relação directa sobre a finitude da consciência; isso da alma será o quê? claro que em circunstâncias muito especiais – a de ontem por exemplo, em que achei que a Paula estaria ali a ver-nos sorrir, quando o Paulo Flores começou a tocar na aparelhagem improvisada – dá um certo conforto pensar que seria bom que existisse qualquer coisa para além do mero corpo.
já fui a mais funerais pelas pessoas que ficam, do que propriamente pelas que partiram. felizmente para mim.
e, apesar do que mexe comigo, do desconforto que me causa, da angústia, faço-o sempre pensando que para as pessoas que ficam – família, amigos próximos  – deve dar um quentinho muito grande saber que, quem partiu, era uma pessoa querida. naquela altura deve ser mesmo o único consolo.

[até sempre, Paula. obrigada por tudo o que me ensinaste sobre as palavras. e a poesia.]

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