não raras vezes me acontece, assim sem saber muito bem como e nos momentos mais inesperados.
acontece-me ter a leve sensação, leve como um pedaço de espuma que se desfaz em contacto com o solo – ou como se um pedaço de filme em três dimensões me fosse trazido de surpresa, mas num décimo de segundo logo se fosse.
sinto, nesse décimo de segundo – talvez seja mais e para mim se assemelhe a coisa tão fugaz – sinto o cheiro a sopas ricas de legumes, a azáfama da feira, o acolhimento das pessoas amigas dos meus pais, o total desconhecimento do que seria o meu futuro a curto prazo, nesse histórico verão de 1975.
às vezes também sinto o cheiro do sotão repleto de maçãs bravo esmofo que o avô Mário nos deu. no sotão de casa emprestada, mais uma vez por pessoas amigas.
era tudo tão novo e a felicidade ingénua era tão evidente.

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