… eram umas bolachinhas mergulhadas em chá preto e comidas à colher. quase desfeitas. ou uma parte quase desfeita, outra mais dura. e deixá-la desfazer-se entre a língua e o céu da boca.

quem é que redigirá os comentários que vão para o spam?
é que são cá de uma criatividade, que eu leio-os todos!

há gente tão triste, tão pequenina, tão poucochinha, que fico sempre dividida entre dar-lhes dois pares de estalos ou um colo para respousarem os fantasmas.

#3
Clube Futebol Benfica – 09.out.2013

o que eu gostava, mesmo, é que a peça da minha vida voltasse a ser escrita por um dramaturgo.
em vez deste ranhoso copywriter de agência de quinta categoria…






liga-me a minha mãe, sempre com aquela voz toda despachada, e diz-me “hoje estamos de parabéns!”.
olho para o telefone, vejo a data para nunca mais me esquecer, e respondo “é hoje? estão mesmo de parabéns!” e ela a sorrir “já viste? 53 anos a aturarmo-nos?” e ri-se muito.

[depois, mudamos a agulha para as trivialidades. eu desaprendi  a mostrar as emoções. ela sempre foi mais ou menos assim.]

um dia, quando for mais velha, gostaria de ter um amor assim. companheiro e acompanhado.
(talvez se o desejar para muito tarde, tenha esse beneplácito dos deuses. encaro esta fase como uma espécie de aprendizagem. já tive tudo, já experimentei tudo, muitas vezes de forma inconsciente, não valorizando devidamente o que estava em causa. talvez agora tenha de passar por esta fase de vazio, de solidão. para perceber ao certo o que é ou não importante, quando desejamos que alguém faça parte da nossa vida. o difícil nisto é que nunca se sabe como termina. mas eu sou optimista e aceito o que me acontece. portanto, talvez agora seja mesmo altura para experimentar o que nunca tinha experimentado: a solidão.)

faz hoje 53 anos que os meus pais se juntaram. em pleno início da guerra colonial, numa Luanda distante, longe de ambas as famílias. acredito que deve ter sido assim uma espécie de coup de foudre. o sorriso do Zeca deve ter esmagado o pragmatismo da São. têm uma história de amor muito bonita, cheia de peripécias e contratempos – que eles ignoraram de forma corajosa e assumiram o seu caminho.
tenho um bocadinho de cada um dentro de mim. e do Zeca o sorriso e as rugas nos olhos.

mesmo tendo que estar fechada a trabalhar, sempre é melhor quando se olha para a rua e se vê a luz do sol.
e as saudades que tenho de andar de bicicleta?

[estou toda contente. tinha um problema com a captura de imagens para o projecto, por causa da falta de luz, mas ontem fiz umas experiências e acho que me vou safar. assim as minhas jogadoras colaborem…]

#16 Clube Futebol Benfica - 20jan2014

#16
Clube Futebol Benfica – 20.jan.2014

Clube Futebol Benfica Equipa feminina de futebol 11 19jan14 às 14:57

Clube Futebol Benfica
Equipa feminina de futebol 11
19jan14 às 14:57

não é o futebol. riem-se quando eu digo que não gosto assim tanto de futebol. é verdade, não gosto. gosto do futebol da minha equipa. o que equivale a dizer que gosto de futebol por causa das pessoas. e sim, o que me faz ali andar é a minha capacidade de organizar e são as pessoas.
aquelas pessoas a quem reconheço os olhares, os trejeitos, o correr, as chuteiras. as vozes, a dinâmica, o humor. e que às vezes me fazem exasperar, porque eu sou muito exigente e impaciente. mas o que não sabem, e não sabem porque eu não consigo exprimi-lo certamente, é o quanto eu gosto delas (e deles). o quão maravilhada fico a vê-las crescer como grupo e como equipa. os laços a estreitarem-se, a euforia da comemoração colectiva.
não há forma de explicar isto. sente-se. vem de dentro, do departamento dos afectos. e vê-se. no brilho do meu olhar quando falo delas. só tenho pena de nunca me terem dedicado um golo, mas pronto, qualquer dia há-de ser. ainda temos poucos marcados! (59 em 16 jogos, senhores, que são tão brutinhas!)

o que leva esta gente a votar a favor do referendo, deve inscrever-se numa coisa qualquer semelhante a isto: ai são “filhos” do pecado? então são pecadores também.
deve ser a isto que se chama herança.

[é tão triste tudo isto. é triste ver os seres humanos serem desumanos. autistas em relação a direitos fundamentais. que coisa estranha irá dentro daquelas cabeças, daqueles corações? e que raio de legitimidade tem um voto de alguém que depois declara que não era bem aquilo que queria votar, mas coiso a disciplina, blá blá blá? estamos a falar de direitos fundamentais, como pode haver disciplina de voto? e que merda de gente é esta que se deixa encarneirar na puta do partido? há dias em que este país é um sítio muito podre para se estar, de facto!]

#10 Clube Futebol Benfica - 08/jan/2014

#10
Clube Futebol Benfica – 08/jan/2014

não se percebe, eu não percebo, pelo menos, como é que o tempo está a passar tão rápido.
eu sei que tenho actividades que me levam grande parte do tempo livre, mas é um exagero a voracidade do Cronos.
guloso!

tenho constatado que à medida que me subtraem hipóteses, aumento a minha capacidade.
capacidade para quê é que é uma boa questão.

Estádio Municipal de Vila Verde - campo sintético 12/jan/2014 às 17:36

Estádio Municipal de Vila Verde – campo sintético
12/jan/2014 às 17:36

os meus dias têm sido fraccionados assim: fazer gelo, pôr thrombocid x ‘n’.

(no sábado ia-me matando no autocarro a caminho de Braga. um travagem a fundo, quando estava em pé, fez-me esparramar corredor fora, parecia eu que estava a apanhar uma onda na costa! ao mesmo tempo que aguardava o momento em que aquilo iria partir-se tudo de encontro a qualquer coisa. muito radical!)

um tipo ao telefone no átrio do ginásio a discutir a depilação.

Prémios femininos: Mafalda Marujo é a melhor da primeira volta
Jogadora do Futebol Benfica eleita pelo SJPF com 26 por cento dos votos.

dentro em breve iniciarei um projecto destes para me ajudar a pagar a puta da electricidade, que estou a gastar à conta da quantidade de água que se foi naquelas horas, sei lá eu quantas, em que isto esteve sem rei nem roque a inundar a minha pequena casa.

mas que raio anda no ar, que de repente uma data de gente diz estas merdas?
eu até fico com urticária… a mim, se me quiserem dar um beijo, dêem-me uma coisa mais física, pode ser? na cara, na testa, na mão, na boca, no pescoço, nas costas, na barriga, nas pernas, qualquer cosinha assim e eu aceito e agradeço.
agora… coração? e porque não fígado? pulmões? apêndice ainda tenho. só não pode ser útero, que esse tiraram-mo há… sei lá quando!

… mas quase.

por menos bom que seja, sempre é melhor do que ter de enfrentar uma inundação sozinha, às onze e tal da noite.

… a dificuldade das pessoas em serem sinceras comigo.
eu sou tão mais condescendente na assumpção do erro…

… que este ano já tenho três que me dão água pela barba: fazer um livro de fotografias.

há pessoas que nos convidam para sua casa e depois, quando estamos quase a pôr um pé lá dentro, fecham-nos a porta violentamente na cara.
a malta fica ali com cara de parva. o ramo de flores esborrachado contra nós, pétalas caídas por tudo quanto é chão.
um desperdício.
enfim…

… é um estado tão arrogante…

Lisboa 01-01-2014 às 00:21

Lisboa
01-01-2014 às 00:21

… mas procuro a redenção.

“perdoai as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido e não nos deixeis cair em tentação…”

em 2014 quero ser melhor. eu sei que o caminho é difícil, mas só há esse mesmo.

o próximo ano será o de mais um passo em frente, e à frente, nesta caminhada.

… com uns copos de tinto! pelo menos sinto-me bem melhor.

[quando for mais velha, serei insuportável, acho. ontem preguei uma valente seca a duas amigas, com as minhas resmunguices. eu não quero ser assim. tenho de ter cuidado com isso…]

The WordPress.com stats helper monkeys prepared a 2013 annual report for this blog.

Here’s an excerpt:

The concert hall at the Sydney Opera House holds 2,700 people. This blog was viewed about 24,000 times in 2013. If it were a concert at Sydney Opera House, it would take about 9 sold-out performances for that many people to see it.

Click here to see the complete report.

… se outra coisa qualquer.
mas um dia destes dei por mim a pensar muito convictamente em começar a correr.
nunca tal me tinha dado. era interessante que isto se mantivesse, quando me passar este congestionamento todo e esta maldita dor de cabeça.

fábrica de cerâmica desactivada Caxarias

fábrica de cerâmica desactivada
Caxarias

a juntar à constipação, agora aparece uma tosse meio cavernosa que me faz estremecer os poucos neurónios que se encontram no activo – não sei se tenho mais e hibernaram, ou se desapareceram mesmo. e a voz que de vez em quando desaparece (tão querida a minha amiga Jo, que no sábado dizia que eu estava com uma voz sexy).
de volta ao trabalho, depois de uma semana fora, a vontade…benza-a Deus! o que vale é que está tudo ao ralenti.

fgbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbb

adormeci para cima do teclado.

Açude do Panão - Miranda do Corvo 27.dez.13 às 15:46

Açude do Panão – Miranda do Corvo
27.dez.13 às 15:46

com uma constipação desgraçada desde terça-feira, abrigo-me em casa dos pais e não faço outra coisa que não seja dormir, comer, ver televisão, ler, e vira o disco e toca o mesmo.
com muito tempo entre mãos, como costuma dizer a minha mãe, naturalmente que os pensamentos cavalgam em animais selvagens e indomáveis.
constato que esta é uma quadra muito propícia a equívocos. deixamo-nos amaciar e acreditamos. acreditamos em felicidades reeditadas, em amores renovados, em entendimentos milagrosos. e ficamos felizes. não sei por quanto tempo. mas há aquele momento de felicidade, de brilho no olhar, como se de crianças nos tratássemos, a receber o presente mais desejado.
eu por aqui vou ficando até ao final de semana. a afugentar a constipação. já não sou grande crente no pai natal. mas acredito que o meu tempo estará algures aí à frente, no futuro. até lá, vou soltando uns espirros, esfregando os pés que fiquem frios e acorro a limpar o pingo que se solta célere do nariz.

a todas as pessoas, que fazem o favor de me acompanhar e ler os meus desabafos, desejo que tenham a oportunidade de estar hoje com quem amam.

a todas as pessoas, que fazem o favor de me acompanhar e ler os meus desabafos, desejo que tenham a oportunidade de estar hoje com quem amam.

julho 13

julho 13

setembro 13

setembro 13

dezembro 13

dezembro 13

… ou então andei demasiado distraída, anteriormente.

temo que esta tristeza jamais me abandone. é como uma camada fina de nevoeiro, tão fina que só se dá por ela quando pegamos numa câmara fotográfica e percebemos que, entre nós e a luz, existe um filtro.
não tenho certezas, mas ando a pensar que, talvez depois de um grande desgosto, haja qualquer coisa que fique a faltar. uma mola que se partiu e não deixa saltar a alegria espontânea. um cruise control qualquer da felicidade que teimosamente não passa dos 50. quem é que tem adrenalina a 50? ninguém!
tal como as baterias, que se não forem completamente descarregadas ficam com memória que vai ocupar espaço de carga, há um espaço algures no nosso coração que fica com a memória do desgosto. lixo entranhado que se agarra e não nos larga. quase imperceptível, mas quase a roçar a omnipresença.

(isso, ou a puta da menopausa que me está a baralhar as hormonas todas.)

ontem, quando comentei para o ar que ia ver o filme, fui gozada de morte com a dinâmica do cinema francês. até me sugeriram ir ver não sei que filme. eu não tenho tempo e, às vezes, nem cabeça para ver os que eu quero, quanto mais ainda ir ver sugestões. enfim…
um dos meus colegas começou a contar que, a maior seca da vida dele, tinha sido quando a professora de francês os obrigou a ver um filme com o Gerard Depardieu em que ele tinha uma quinta. e eu disse-lhe que era o Jean de Florette. saiu-me assim de rajada. a nossa memória é uma coisa fantástica. esse e a continuação, Manon des Sources, foram dos filmes que mais gostei de ver, certamente, para me ficarem assim na memória.
tomei conhecimento deles através da Premiére, edição francesa, que eu comprava religiosamente todos os meses. depois encontrei-os num video clube.
agora, reparo, que os video clubes acabaram e não foram substituídos por nada. não se pode dizer que a videoteca do serviço de televisão que temos em casa se lhes compare e para quem, como eu, é completamente naba a ver coisas online, a coisa fica mesmo reduzida à ignorância.

… não tem nada de extraordinária.
é a vida simples, igual a de tantas nós, de quem um dia ousou desencontrar-se.
e por isso, pela simplicidade da história, e pelo realismo da realização, é que é tão, mas tão bonito este filme.

Lisboa, Sete Rios. hoje às 14:19

caminho pela rua e procuro embrenhar-me no colectivo.
[ainda que quisesse, seria eu capaz de despir esta pele seca e voltar a ser um pouco mais humana? com todos os riscos que isso implicaria…]
eu queria, queria sair pela rua e sorrir pelas luzes que alumiam este natal falso. olhar para elas e ver a luz da redenção. já poucas coisas me espantam, me maravilham, me estarrecem. vivo cada vez mais num mundo subterrâneo de imagens escuras e sentimentos contidos.
[o meu desejo para este Natal? conseguir deitar a cabeça no colo da mãe e chorar.]
já não há natal.

alguns homens devem ter sido pais por milagre da natureza. porque aqueles tomates, coitados, só servem mesmo para atrapalhar!
de tão cobardes, devem tê-los mirradinhos de todo, foda-se!

desde que um dos meus colegas trouxe sonhos, faz hoje uma semana, que todos os dias me apetece comê-los.
felizmente, que de todos os pecados mortais capitais que eu devo ter, a preguiça é bem mais poderosa do que a gula.

actualização: corrigem-me dizendo que são pecados capitais e não mortais. claro. se eu estou em lisboa, teriam que ser capitais. que distracção a minha!

e não são as de Almeida Garrett. são mesmo as que estão no chão por todo o lado, juntamente com outro lixo, e que esperam avidamente a chegada de um boa chuvada para entupir esta merda toda. e depois uma gaja demorar horas a chegar a qualquer lado.
estamos mesmo ao nível do terceiro mundo.

se quiser ver as mulheres aqui da chafarica a ficarem eriçadas, e quase a espumarem, é só lançar-lhes a coisa da responsabilidade que as mães têm numa série de incompetências dos filhos.
tão pouco conscientes do poder que têm, coitadas…

… esta vontade diária de comer doces.
frio. deve ser do frio.
é isso!

doze anos de federada como defesa, responsabilizam-me no que à contenção diz respeito.

e há um dia em que nos dão uma valente chapada que nos desperta e agita o cantinho onde estrategicamente nos colocamos para sofrermos o menos possível.

[quero fazer qualquer coisa com isto mas tenho receio. eu que nunca receei nada, deu-me para ser receosa com a menopausa… deve ser por isso…]

… vem-me uma vontade de vomitar quase incontrolável!

imagem do litoral oeste dos EUA.  a norte de LA.

imagem no litoral oeste dos EUA.
a norte de LA.

ao “à mulher de césar não basta ser séria, tem de parecer séria” eu atribuía-lhe uma nuance do “até pode não ser séria, tem é de parecer sempre séria”.

o desconhecimento tem um papel mais importante na nossa vida do que aquele que pensamos.
como diz a bela da Marisa Monte, quem sabe de tudo não fale, quem não sabe nada se cale.

… que inicia de uma maneira completamente fodida, maravilhoso seria terminar com uma massagem.

a minha versão ‘aNa’ é bem mais interessante do que a ‘anabela’ que está aqui por detrás do ecran a teclar estas palavras.

mas certamente diria para eu contar até dez de cada vez que falo com as chefias.
tipo aquela cena de pedir paciência, porque se me dão força…



dizem-me que eu não ouço as pessoas. que estou demasiado auto-centrada e que não me interesso por nada que não seja da minha vida. zango-me. eu odeio que me alertem para uma coisa que me incomoda. não faço perguntas. e isso dá a ideia de que não me interesso, dizem. outras vezes não me interesso mesmo. mas eu sempre fui boa a ouvir. será que me fechei assim tanto que já não estou nem aí para os outros? acho que não.
falta-me tempo. preciso de fazer tudo mais rápido, porque comecei muito tarde. é isso.

* heaven or hell, was the journey cold that gave you eyes of steel?

… mas por aqui está tudo muito excitado. muito barulho.

[mulheres a falarem à bebé é mau!!! mas homens… foda-se!]

a prova de que não estou, ainda, uma cínica empedernida, é que ainda fico algo comovida a ouvir isto.

… se ria, se chore, ou se antes pelo contrário.*

* de cada vez que aparecem, no meu email, promoções de fins de semana românticos!

no outro dia perguntei à minha massagista se fazia massagens com pedras quentes. ao que ela respondeu que sim.
noutros tempos, ter-lhe-ia dito que, apesar de ser muito bom, era um desperdício trocar as mãos dela por umas pedras.
agora pensei-o mas não o verbalizei – acho que não ficaria muito bem. o que é um pensamento completamente disparatado.

ando sempre à procura de roçar a perfeição. quando, finalmente, me libertar disso, talvez consiga ser mesmo feliz!

After the ordeal
by Genesis
from Selling England by the pound

mas eu não suporto perfumes de homem. particularmente aqueles que são muito intensos. e estão colocados num caramelo que sobe no mesmo elevador do que eu. e diz kick off, em vez de data de início. muito mau, logo de manhã!

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meiavolta(at)gmail(dot)com

fotografias

todas as fotografias aqui reproduzidas são da autoria de ©Anabela Mendes, excepto se forem identificadas.

acordo ortográfico

não sei como se faz e nem quero saber!

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